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Semana do Climatério · Artigo 12 · Saúde da mulher

Perimenopausa não é menopausa: por que o tratamento pode ser diferente?

A mulher pode apresentar fogachos, alteração do sono e irregularidade menstrual, e ainda ovular. Um novo toolkit de 2026 propõe uma abordagem específica para essa fase.

Dr. Hugo Faria · Cardiologia · Outubro 2026 · Leitura de 4 min

A perimenopausa é uma das fases mais desafiadoras do climatério.

A paciente pode apresentar:

Mas, diferentemente da pós-menopausa, ela ainda pode ter atividade ovariana intermitente e possibilidade de gravidez.

Em setembro de 2026, Piasta e Zewail publicaram em Obstetrics & Gynecology um toolkit clínico para manejo hormonal da perimenopausa, ressaltando que essa fase possui fisiologia e necessidades próprias e carece de diretrizes específicas suficientemente detalhadas. [1]

01 Por que a perimenopausa é diferente?

Na pós-menopausa, a produção ovariana de estrogênio é persistentemente reduzida.

Na perimenopausa, ocorre algo diferente:

os hormônios oscilam.

Em determinados momentos podem estar baixos.

Em outros, relativamente elevados.

Isso explica parte da variedade dos sintomas.

Também explica por que uma dosagem hormonal isolada pode ser pouco representativa.

02 O ciclo pode ficar irregular

Uma das características mais frequentes é mudança na duração ou previsibilidade do ciclo.

Podem ocorrer:

Mas nem todo sangramento na meia-idade deve ser atribuído automaticamente à perimenopausa.

Sangramento uterino anormal pode exigir investigação.

03 E a gravidez?

Esse é um ponto crucial.

Perimenopausa não significa infertilidade absoluta.

A mulher pode continuar ovulando.

Por isso, se gravidez não é desejada, a necessidade contraceptiva continua existindo.

Esse ponto modifica significativamente o tratamento.

O novo toolkit enfatiza justamente a necessidade de combinar:

04 Anticoncepcional ou terapia hormonal?

Não são a mesma coisa.

Contraceptivos hormonais combinados podem:

Mas contêm doses e esquemas diferentes daqueles utilizados na terapia hormonal da menopausa.

Além disso, não são adequados para todas as mulheres.

05 Quando contraceptivos podem ser interessantes?

Dependendo do perfil clínico, podem ser úteis quando existe simultaneamente:

Mas é necessário considerar contraindicações e riscos, incluindo:

06 E se ela não quiser anticoncepcional?

Esse é justamente um dos problemas abordados pelo toolkit.

Contraceptivos hormonais são utilizados com frequência, mas não são universalmente adequados nem desejados.

Outras estratégias hormonais podem ser consideradas de forma individualizada, dependendo dos sintomas e da necessidade contraceptiva. [1]

07 Dispositivo intrauterino pode participar da estratégia?

Em algumas mulheres, um sistema intrauterino com levonorgestrel pode ajudar:

A decisão é individualizada.

08 E o risco cardiovascular?

A perimenopausa também coincide com mudanças progressivas na saúde cardiometabólica.

Por isso, antes de escolher uma estratégia hormonal, vale avaliar:

O toolkit explicitamente reconhece que necessidade contraceptiva e evolução do risco cardiometabólico precisam ser consideradas simultaneamente. [1]

09 Hormônios séricos ajudam?

Na maioria das mulheres em faixa etária típica, uma dosagem isolada de FSH ou estradiol pode ter utilidade limitada justamente por causa da oscilação hormonal.

Diagnóstico e manejo devem ser orientados principalmente pelo contexto clínico.

10 A mensagem mais importante

A perimenopausa não deve ser tratada simplesmente como uma versão mais precoce da pós-menopausa.

A mulher pode ter simultaneamente:

sintomas + irregularidade menstrual + risco de gravidez + mudança metabólica.

Essa combinação cria uma necessidade terapêutica própria.

11 Conclusão

O manejo da perimenopausa exige uma pergunta mais ampla do que:

Ela precisa de reposição?

Precisamos perguntar:

Quais sintomas queremos tratar? Como está o sangramento? Ela precisa de contracepção? E qual é seu perfil de risco?

Essa é a lógica da individualização nessa fase.


Leia também

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Referências
1. Piasta J, Zewail A. Hormonal options for perimenopause: a clinician toolkit. Obstet Gynecol. 2026 Sep 15 [Epub ahead of print]. DOI: 10.1097/AOG.0000000000006436
2. American College of Obstetricians and Gynecologists. Hormone therapy for menopause [Internet]. [cited 2026 Oct 7]. acog.org

Material educativo; não substitui consulta nem avaliação individual. A decisão sobre qualquer tratamento depende da sua história e deve ser tomada com o seu médico.

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