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Semana do Climatério · Artigo 01 · Saúde da mulher

Climatério e menopausa: o que muda no corpo da mulher?

Entenda climatério, perimenopausa e menopausa e como reconhecer sintomas, procurar avaliação e ampliar os cuidados de saúde.

Dr. Hugo Faria · Cardiologia · Outubro 2026 · Leitura de 5 min

01 Você pode estar no climatério mesmo continuando a menstruar

Quando se fala em menopausa, muitas pessoas imaginam uma mudança que acontece de maneira abrupta: a mulher menstrua normalmente, os ovários “param de funcionar” e, a partir daquele momento, começam os sintomas.

Na realidade, o processo é muito mais gradual.

A menopausa corresponde à última menstruação e só pode ser reconhecida retrospectivamente após 12 meses consecutivos sem menstruar, quando não há outra causa para a amenorreia. Antes disso existe a transição menopausal, frequentemente chamada de perimenopausa, período no qual a função ovariana torna-se progressivamente mais variável e começam a surgir modificações no padrão menstrual e diferentes sintomas.[1,2]

Por isso, uma mulher pode continuar menstruando e, ao mesmo tempo, já estar atravessando mudanças características do climatério.

A International Menopause Society (IMS), em suas recomendações atualizadas de 2026, reforça justamente que a saúde feminina na meia-idade deve ser avaliada de maneira ampla, incluindo sintomas da menopausa, estilo de vida, metabolismo, saúde cardiovascular, osso, sexualidade e cognição. [1]

02 Climatério, perimenopausa e menopausa: qual a diferença?

Os termos são frequentemente utilizados como sinônimos, mas representam conceitos diferentes.

O climatério é um período mais amplo da vida feminina, que compreende a transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva.

A transição menopausal ocorre dentro desse período. Perimenopausa é um termo mais amplo, que inclui essa transição e se estende até um ano após a última menstruação. Nela, os ciclos podem começar a variar, a ovulação torna-se menos previsível e as concentrações hormonais apresentam grande oscilação.

A menopausa é um marco dentro desse processo: a última menstruação.

Depois dela inicia-se a pós-menopausa.

Essa distinção é importante porque muitas mulheres procuram atendimento apenas quando deixam completamente de menstruar, embora sintomas e alterações metabólicas possam começar anos antes.

03 Não são apenas os fogachos

Ondas de calor e sudorese noturna são os sintomas mais conhecidos da menopausa, mas representam apenas uma parte do quadro.

Durante a transição menopausal podem ocorrer:

A intensidade varia enormemente entre as mulheres.

Algumas atravessam essa fase praticamente assintomáticas. Outras apresentam sintomas suficientemente intensos para comprometer sono, trabalho, relacionamentos, atividade física e qualidade de vida.

Isso reforça uma das mensagens mais importantes da medicina contemporânea do climatério:

não existe uma experiência única de menopausa.

04 O que acontece com o metabolismo?

A meia-idade feminina é acompanhada por importantes modificações corporais.

Estudos mostram que a transição menopausal pode estar associada a maior acúmulo de gordura visceral, alterações no perfil lipídico e mudanças na sensibilidade à insulina e na função vascular.[3]

Mas existe um cuidado importante na interpretação.

Nem toda alteração observada nessa fase pode ser atribuída diretamente à queda do estrogênio.

Envelhecimento, nível de atividade física, alimentação, sono, genética, uso de medicamentos e outras condições clínicas também participam desse processo.

Portanto, atribuir qualquer ganho de peso, cansaço ou mudança metabólica simplesmente à “falta de hormônio” é uma simplificação inadequada.

05 Por que o coração merece atenção especial?

Do ponto de vista cardiovascular, a transição menopausal é uma oportunidade importante.

A American Heart Association já reconhecia esse período como uma fase em que ocorrem alterações relevantes em fatores de risco cardiovasculares, incluindo composição corporal, colesterol e saúde vascular.[3]

Isso não significa que a menopausa seja uma doença cardiovascular.

Também não significa que o risco de infarto surja subitamente quando a menstruação desaparece.

Na realidade, aterosclerose e doença cardiovascular são construídas ao longo de décadas.

O que muda é que esse momento da vida oferece uma excelente oportunidade para revisar fatores que muitas vezes passaram despercebidos.

Entre eles:

06 Toda mulher no climatério precisa fazer terapia hormonal?

Não.

Esse é provavelmente um dos equívocos mais frequentes.

Estar no climatério não constitui, isoladamente, indicação para terapia hormonal.

A decisão depende de fatores como:

As recomendações atuais reforçam a necessidade de individualização.[1,4]

07 E os exames hormonais?

Outra dúvida comum é se toda mulher deveria medir estradiol, progesterona e FSH para “descobrir se entrou no climatério”.

Na maioria das mulheres com idade compatível e quadro clínico típico, principalmente acima dos 45 anos, o diagnóstico é predominantemente clínico.

As concentrações hormonais podem oscilar intensamente durante a transição, razão pela qual uma dosagem isolada nem sempre representa adequadamente o estágio reprodutivo.

Há situações específicas em que exames são necessários, mas eles não substituem a avaliação clínica.

08 O climatério como oportunidade

A melhor maneira de enxergar essa fase talvez não seja como uma simples “queda hormonal”.

É uma oportunidade para revisar a saúde de forma integrada.

Perguntar:

Como está minha pressão?

Como está meu colesterol?

Como está minha composição corporal?

Estou preservando massa muscular?

Estou dormindo bem?

Como está minha sexualidade?

Como está minha saúde óssea?

Qual é meu risco cardiovascular?

Quais hábitos quero levar para as próximas décadas?

Essa mudança de perspectiva é importante.

O climatério não precisa ser apenas uma fase de tratamento de sintomas. Pode ser um momento estratégico para redesenhar a prevenção da saúde feminina.
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Perimenopausa não é menopausa: por que o tratamento pode ser diferente?

Referências
1. International Menopause Society. IMS recommendations and key messages on women’s midlife health and menopause [Internet]. 2026 [cited 2026 Oct 7]. imsociety.org
2. American College of Obstetricians and Gynecologists. Hormone therapy for menopause [Internet]. [cited 2026 Oct 7]. acog.org
3. El Khoudary SR, Aggarwal B, Beckie TM, Hodis HN, Johnson AE, Langer RD, et al. Menopause transition and cardiovascular disease risk: implications for timing of early prevention: a scientific statement from the American Heart Association. Circulation. 2020;142(25):e506-e532. DOI: 10.1161/CIR.0000000000000912
4. Oliveira GMM, Almeida MCC, Arcelus CMA, Espíndola LN, Rivera MAM, Silva-Filho AL, et al. Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa, 2024. Arq Bras Cardiol. 2024;121(7):e20240478. DOI: 10.36660/abc.20240478

Material educativo; não substitui consulta nem avaliação individual. A decisão sobre qualquer tratamento depende da sua história e deve ser tomada com o seu médico.

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