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Semana do Climatério · Artigo 04 · Saúde da mulher

Terapia hormonal: comprimido, gel, adesivo ou vaginal, qual a diferença?

Entenda as diferenças entre terapia oral, transdérmica e vaginal e como objetivo, dose e proteção endometrial orientam a escolha.

Dr. Hugo Faria · Cardiologia · Outubro 2026 · Leitura de 4 min

Quando uma paciente diz que faz “reposição hormonal”, essa informação é incompleta.

É necessário saber:

Essa diferença não é meramente farmacológica.

Pode modificar eficácia, metabolismo e segurança.

01 Estrogênio oral

Quando administrado por via oral, o estrogênio é absorvido pelo trato gastrointestinal e passa inicialmente pelo fígado.

Esse fenômeno é chamado de primeira passagem hepática.

Como consequência, o estrogênio oral modifica de maneira mais intensa a síntese hepática de determinadas proteínas, incluindo fatores relacionados à coagulação e metabolismo lipídico.

Isso ajuda a explicar por que a via de administração pode modificar o perfil tromboembólico.

02 Estrogênio transdérmico

O estradiol transdérmico pode ser administrado principalmente por:

A absorção ocorre pela pele diretamente para a circulação sistêmica, evitando grande parte da primeira passagem hepática.

Isso faz com que seu perfil metabólico e hemostático seja diferente do observado com o estrogênio oral.

As recomendações brasileiras destacam a via transdérmica como particularmente interessante em mulheres com alguns fatores cardiometabólicos, incluindo obesidade, hipertensão e outros contextos de maior risco.[1]

03 Isso significa que toda mulher deve usar transdérmico?

Não necessariamente.

Mais uma vez, não existe uma única escolha adequada para todas.

A via oral pode ser apropriada para determinadas pacientes.

O ponto importante é reconhecer que a via faz parte da decisão clínica.

04 Estrogênio vaginal

O estrogênio vaginal tem objetivo frequentemente diferente.

Ele é utilizado principalmente no tratamento de sintomas da síndrome geniturinária da menopausa, como:

Formulações vaginais de baixa dose promovem exposição predominantemente local e podem ser suficientes quando a paciente não apresenta sintomas sistêmicos importantes.

Portanto:

uma mulher com apenas ressecamento vaginal não necessariamente precisa utilizar terapia hormonal sistêmica.

05 E a progesterona?

Quando uma mulher tem útero e utiliza estrogênio sistêmico, é necessário proteger o endométrio.

Isso pode ser feito com diferentes progestogênios ou progesterona, utilizando esquemas:

A escolha também deve ser individualizada.

06 Existe uma dose ideal?

Não existe uma única dose universal.

O princípio geral é utilizar a menor dose eficaz para alcançar o objetivo terapêutico, ajustando conforme:

É importante evitar a lógica de “quanto mais hormônio, melhor”.

O objetivo da terapia não é produzir concentrações máximas.

É proporcionar benefício clínico adequado com exposição apropriada.

07 Formulações diferentes significam tratamentos diferentes

Essa talvez seja a principal mensagem deste artigo.

Não faz sentido analisar segurança de “reposição hormonal” como se fosse um único medicamento.

Um comprimido oral de determinado estrogênio com determinado progestogênio não é farmacologicamente idêntico a estradiol transdérmico associado a progesterona.

Terapia hormonal moderna é individualização de molécula, dose, via e combinação.
Referências
1. Oliveira GMM, Almeida MCC, Arcelus CMA, Espíndola LN, Rivera MAM, Silva-Filho AL, et al. Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa, 2024. Arq Bras Cardiol. 2024;121(7):e20240478. DOI: 10.36660/abc.20240478
2. The 2022 Hormone Therapy Position Statement of The North American Menopause Society Advisory Panel. The 2022 hormone therapy position statement of The North American Menopause Society. Menopause. 2022;29(7):767-794. DOI: 10.1097/GME.0000000000002028
3. American College of Obstetricians and Gynecologists. Hormone therapy for menopause [Internet]. [cited 2026 Oct 7]. acog.org

Material educativo; não substitui consulta nem avaliação individual. A decisão sobre qualquer tratamento depende da sua história e deve ser tomada com o seu médico.

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