Menopausa e coração: como o climatério modifica o risco cardiovascular?
Saiba por que avaliar pressão, colesterol e glicemia no climatério e como integrar sintomas e prevenção cardiovascular.
A doença cardiovascular ainda é frequentemente subestimada pelas mulheres.
Muitas passam décadas preocupadas principalmente com câncer, enquanto pressão arterial, colesterol, glicemia e sedentarismo recebem menos atenção.
O climatério oferece uma excelente oportunidade para mudar essa história.
01 O que acontece durante a transição menopausal?
Durante a meia-idade podem ocorrer alterações em:
- distribuição de gordura corporal;
- gordura visceral;
- perfil lipídico;
- pressão arterial;
- sensibilidade à insulina;
- função vascular.
A American Heart Association reconhece a transição menopausal como um período associado a mudanças cardiometabólicas importantes.[1,2]
Mas é importante evitar outra simplificação.
A menopausa não é responsável sozinha pela doença cardiovascular.
Envelhecimento, genética, alimentação, peso, atividade física, tabagismo e exposição acumulada a fatores de risco ao longo da vida continuam fundamentais.
02 A aterosclerose começa muito antes da menopausa
Infarto geralmente é uma manifestação tardia de um processo que começou décadas antes.
Por isso, uma mulher não deve esperar chegar aos 60 ou 70 anos para começar prevenção cardiovascular.
A transição menopausal oferece uma oportunidade para verificar se o risco já está sendo construído.
03 O que avaliar?
Uma avaliação preventiva pode incluir:
Pressão arterial
Hipertensão torna-se cada vez mais prevalente com o avanço da idade.
Perfil lipídico
LDL-C continua sendo um dos principais fatores causais modificáveis de aterosclerose.
Dependendo do perfil individual, marcadores como ApoB e lipoproteína(a) podem contribuir para refinamento do risco.
Metabolismo glicídico
Glicemia, hemoglobina glicada e avaliação metabólica devem ser consideradas conforme o contexto.
Composição corporal
Peso isoladamente é uma medida limitada.
Gordura visceral e perda progressiva de massa muscular podem ter consequências metabólicas importantes.
Tabagismo
Continua sendo um dos fatores de risco cardiovascular mais relevantes.
Sono
Distúrbios do sono e apneia também merecem atenção.
História obstétrica
Condições como:
- pré-eclâmpsia;
- hipertensão gestacional;
- diabetes gestacional;
podem fornecer informações importantes sobre risco cardiovascular futuro.
Menopausa precoce
Menopausa muito precoce também está associada a maior risco cardiovascular em estudos observacionais.[1]
04 Terapia hormonal protege o coração?
Esse é um ponto que precisa ser comunicado com precisão.
Terapia hormonal não deve ser prescrita especificamente para prevenir infarto ou AVC.
Entretanto, o perfil cardiovascular da terapia varia de acordo com:
- idade;
- timing;
- via;
- formulação;
- risco basal.
A evidência sugere que iniciar tratamento em mulheres mais jovens, próximas da menopausa, não apresenta o mesmo perfil observado quando a terapia é iniciada muitos anos depois.[3]
05 O que muda na consulta?
Em vez de perguntar apenas:
Eu acrescentaria:
Essa avaliação ajuda a decidir:
- se terapia é apropriada;
- qual via utilizar;
- quais fatores precisam ser tratados independentemente do hormônio.
06 Menopausa como janela de prevenção
É uma oportunidade para corrigir problemas antes que se transformem em doença estabelecida.
Material educativo; não substitui consulta nem avaliação individual. A decisão sobre qualquer tratamento depende da sua história e deve ser tomada com o seu médico.
Climatério merece um olhar completo
Sintomas, coração, metabolismo, ossos e sexualidade fazem parte da mesma avaliação. Vamos conversar sobre o seu momento.
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