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Semana do Climatério · Artigo 05 · Saúde da mulher

Menopausa e coração: como o climatério modifica o risco cardiovascular?

Saiba por que avaliar pressão, colesterol e glicemia no climatério e como integrar sintomas e prevenção cardiovascular.

Dr. Hugo Faria · Cardiologia · Outubro 2026 · Leitura de 4 min

A doença cardiovascular ainda é frequentemente subestimada pelas mulheres.

Muitas passam décadas preocupadas principalmente com câncer, enquanto pressão arterial, colesterol, glicemia e sedentarismo recebem menos atenção.

O climatério oferece uma excelente oportunidade para mudar essa história.

01 O que acontece durante a transição menopausal?

Durante a meia-idade podem ocorrer alterações em:

A American Heart Association reconhece a transição menopausal como um período associado a mudanças cardiometabólicas importantes.[1,2]

Mas é importante evitar outra simplificação.

A menopausa não é responsável sozinha pela doença cardiovascular.

Envelhecimento, genética, alimentação, peso, atividade física, tabagismo e exposição acumulada a fatores de risco ao longo da vida continuam fundamentais.

02 A aterosclerose começa muito antes da menopausa

Infarto geralmente é uma manifestação tardia de um processo que começou décadas antes.

Por isso, uma mulher não deve esperar chegar aos 60 ou 70 anos para começar prevenção cardiovascular.

A transição menopausal oferece uma oportunidade para verificar se o risco já está sendo construído.

03 O que avaliar?

Uma avaliação preventiva pode incluir:

Pressão arterial

Hipertensão torna-se cada vez mais prevalente com o avanço da idade.

Perfil lipídico

LDL-C continua sendo um dos principais fatores causais modificáveis de aterosclerose.

Dependendo do perfil individual, marcadores como ApoB e lipoproteína(a) podem contribuir para refinamento do risco.

Metabolismo glicídico

Glicemia, hemoglobina glicada e avaliação metabólica devem ser consideradas conforme o contexto.

Composição corporal

Peso isoladamente é uma medida limitada.

Gordura visceral e perda progressiva de massa muscular podem ter consequências metabólicas importantes.

Tabagismo

Continua sendo um dos fatores de risco cardiovascular mais relevantes.

Sono

Distúrbios do sono e apneia também merecem atenção.

História obstétrica

Condições como:

podem fornecer informações importantes sobre risco cardiovascular futuro.

Menopausa precoce

Menopausa muito precoce também está associada a maior risco cardiovascular em estudos observacionais.[1]

04 Terapia hormonal protege o coração?

Esse é um ponto que precisa ser comunicado com precisão.

Terapia hormonal não deve ser prescrita especificamente para prevenir infarto ou AVC.

Entretanto, o perfil cardiovascular da terapia varia de acordo com:

A evidência sugere que iniciar tratamento em mulheres mais jovens, próximas da menopausa, não apresenta o mesmo perfil observado quando a terapia é iniciada muitos anos depois.[3]

05 O que muda na consulta?

Em vez de perguntar apenas:

Essa mulher pode usar hormônio?

Eu acrescentaria:

Como está o risco cardiovascular dessa mulher?

Essa avaliação ajuda a decidir:

06 Menopausa como janela de prevenção

É uma oportunidade para corrigir problemas antes que se transformem em doença estabelecida.

A menopausa não deve ser o momento em que começamos a ter medo do coração. Deve ser o momento em que começamos a protegê-lo de forma mais precisa.
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Referências
1. El Khoudary SR, Aggarwal B, Beckie TM, Hodis HN, Johnson AE, Langer RD, et al. Menopause transition and cardiovascular disease risk: implications for timing of early prevention: a scientific statement from the American Heart Association. Circulation. 2020;142(25):e506-e532. DOI: 10.1161/CIR.0000000000000912
2. Oliveira GMM, Almeida MCC, Arcelus CMA, Espíndola LN, Rivera MAM, Silva-Filho AL, et al. Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa, 2024. Arq Bras Cardiol. 2024;121(7):e20240478. DOI: 10.36660/abc.20240478
3. The 2022 Hormone Therapy Position Statement of The North American Menopause Society Advisory Panel. The 2022 hormone therapy position statement of The North American Menopause Society. Menopause. 2022;29(7):767-794. DOI: 10.1097/GME.0000000000002028

Material educativo; não substitui consulta nem avaliação individual. A decisão sobre qualquer tratamento depende da sua história e deve ser tomada com o seu médico.

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