Menopausa, fome e gordura abdominal: o que acontece no organismo?
Muitas mulheres percebem que, na menopausa, a fome muda e a barriga cresce, mesmo comendo igual. Uma revisão publicada em setembro de 2026 reuniu o que se sabe sobre o papel do estrogênio no cérebro e na gordura. Há explicação biológica, mas também exageros a evitar.
01 O estrogênio também age no cérebro
O estradiol não atua só no sistema reprodutor. Ele participa de circuitos do hipotálamo que regulam a fome e a saciedade e da resposta a hormônios como a leptina, que sinaliza que há energia de reserva, e a grelina, que estimula a fome. [1]
O estrogênio também influencia a serotonina e a dopamina, ligadas ao humor, à motivação e ao prazer de comer. Com a queda do estrogênio, algumas mulheres relatam mais fome, mais vontade de doces e carboidratos e mais dificuldade de parar de comer. [1]
A revisão é narrativa, e boa parte dos mecanismos vem de estudos em animais. Mais fome não é regra: sono ruim, fogachos, humor, rotina e remédios também mudam o apetite, e cada mulher responde de um jeito.
02 Ganhar peso ou mudar a gordura de lugar?
A revisão cita um ganho médio de 2 a 3 kg durante a transição para a menopausa. [1] Mas as recomendações da International Menopause Society, de 2025, fazem uma distinção importante: o ganho de peso da meia-idade se deve principalmente ao envelhecimento e ao menor gasto de energia, enquanto a falta de estrogênio pesa mais na redistribuição da gordura para o abdome. [2]
Essa é a mudança que mais importa: a gordura tende a sair de quadris e coxas e se acumular dentro do abdome, em volta dos órgãos. É a gordura visceral.
03 Por que isso importa para o coração
A gordura visceral é metabolicamente ativa. Ela se associa a resistência à insulina, diabetes, triglicerídeos altos, HDL baixo, pressão alta, gordura no fígado e mais risco de infarto. A Diretriz Brasileira de Saúde Cardiovascular na Menopausa destaca essas mudanças na transição menopausal. [3]
Por isso, uma mulher pode manter o peso e, ainda assim, ver o risco do coração aumentar. Falei mais sobre essa fase em Menopausa, coração e ossos e na série Semana do Climatério.
04 O que avaliar na consulta
- circunferência abdominal, e não só o peso;
- composição corporal, quando disponível;
- pressão arterial;
- colesterol, triglicerídeos e glicose;
- sono, fogachos, humor e apetite;
- força e massa muscular.
05 O que fazer
- Musculação e exercício aeróbico: preservam o músculo e reduzem a gordura visceral.
- Proteína adequada, distribuída ao longo do dia.
- Sono e tratamento dos sintomas da menopausa, que ajudam a sustentar os hábitos.
- Quando há compulsão alimentar, abordagem com equipe.
- Na obesidade, remédios podem ser considerados conforme as indicações estabelecidas.
Tem indicações próprias, como tratar fogachos. Pode ajudar na distribuição da gordura, mas não é tratamento para emagrecer nem para prevenir infarto. Veja quando a terapia hormonal é indicada.
Material educativo; não substitui consulta nem avaliação individual. Não use hormônios ou medicamentos sem prescrição e acompanhamento médico.
Menopausa é hora de prevenção
Cintura, composição corporal, pressão, colesterol e glicose contam mais que a balança. Vamos avaliar o seu momento.
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