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Saúde da mulher · Menopausa · Metabolismo

Menopausa, fome e gordura abdominal: o que acontece no organismo?

Muitas mulheres percebem que, na menopausa, a fome muda e a barriga cresce, mesmo comendo igual. Uma revisão publicada em setembro de 2026 reuniu o que se sabe sobre o papel do estrogênio no cérebro e na gordura. Há explicação biológica, mas também exageros a evitar.

Dr. Hugo Faria · Cardiologia · Novembro 2026 · Leitura de 6 min

01 O estrogênio também age no cérebro

O estradiol não atua só no sistema reprodutor. Ele participa de circuitos do hipotálamo que regulam a fome e a saciedade e da resposta a hormônios como a leptina, que sinaliza que há energia de reserva, e a grelina, que estimula a fome. [1]

O estrogênio também influencia a serotonina e a dopamina, ligadas ao humor, à motivação e ao prazer de comer. Com a queda do estrogênio, algumas mulheres relatam mais fome, mais vontade de doces e carboidratos e mais dificuldade de parar de comer. [1]

Com os pés no chão

A revisão é narrativa, e boa parte dos mecanismos vem de estudos em animais. Mais fome não é regra: sono ruim, fogachos, humor, rotina e remédios também mudam o apetite, e cada mulher responde de um jeito.

02 Ganhar peso ou mudar a gordura de lugar?

A revisão cita um ganho médio de 2 a 3 kg durante a transição para a menopausa. [1] Mas as recomendações da International Menopause Society, de 2025, fazem uma distinção importante: o ganho de peso da meia-idade se deve principalmente ao envelhecimento e ao menor gasto de energia, enquanto a falta de estrogênio pesa mais na redistribuição da gordura para o abdome. [2]

Cintura > balança
a gordura pode ir para dentro do abdome mesmo com o peso estável

Essa é a mudança que mais importa: a gordura tende a sair de quadris e coxas e se acumular dentro do abdome, em volta dos órgãos. É a gordura visceral.

03 Por que isso importa para o coração

A gordura visceral é metabolicamente ativa. Ela se associa a resistência à insulina, diabetes, triglicerídeos altos, HDL baixo, pressão alta, gordura no fígado e mais risco de infarto. A Diretriz Brasileira de Saúde Cardiovascular na Menopausa destaca essas mudanças na transição menopausal. [3]

Por isso, uma mulher pode manter o peso e, ainda assim, ver o risco do coração aumentar. Falei mais sobre essa fase em Menopausa, coração e ossos e na série Semana do Climatério.

04 O que avaliar na consulta

05 O que fazer

Terapia hormonal

Tem indicações próprias, como tratar fogachos. Pode ajudar na distribuição da gordura, mas não é tratamento para emagrecer nem para prevenir infarto. Veja quando a terapia hormonal é indicada.

A menopausa muda o organismo. A prevenção precisa acompanhar essas mudanças.
Referências
1. La Vignera S, Calogero AE, Cannarella R, et al. Eating behavior in menopausal women: from molecular to clinical aspects. What changes? Int J Mol Sci. 2026;27(19):8538. DOI: 10.3390/ijms27198538
2. Panay N, Fenton A, Hamoda H, et al. International Menopause Society (IMS) recommendations and key messages on women's midlife health and menopause. Climacteric. 2025;28:634-656. DOI: 10.1080/13697137.2025.2585487
3. Oliveira GMM, Almeida MCC, Arcelus CMA, et al. Brazilian Guideline on Menopausal Cardiovascular Health, 2024. Arq Bras Cardiol. 2024;121(7):e20240478. DOI: 10.36660/abc.20240478

Material educativo; não substitui consulta nem avaliação individual. Não use hormônios ou medicamentos sem prescrição e acompanhamento médico.

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