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Semana da Estatina · Cardiologia

As estatinas nasceram de um fungo

Antes de ser um dos remédios mais debatidos da cardiologia, a estatina foi uma pergunta ousada de um bioquímico curioso. E a resposta veio de onde quase ninguém esperava: de um fungo, o mesmo tipo de organismo que deu ao mundo a penicilina.

Dr. Hugo Faria · Cardiologia · Agosto 2026 · Leitura de 5 min

01 Uma pergunta inspirada na penicilina

Nos anos 1970, o bioquímico japonês Akira Endo partiu de uma observação simples e poderosa: a penicilina, que revolucionou a medicina, tinha vindo de um fungo. Endo então formulou uma pergunta ousada: existiria, em algum fungo, uma substância capaz de frear a produção de colesterol no corpo humano?

Responder a isso exigiu paciência. Endo analisou mais de 6.000 cepas de micro-organismos ao longo de anos, testando um a um, atrás de uma única molécula que fizesse o que ele imaginava.

02 O achado que mudou a cardiologia

1976
Endo isola a compactina, a primeira estatina, de um fungo

Em 1976, o esforço deu resultado. Endo isolou a compactina a partir do fungo Penicillium citrinum, do mesmo gênero da penicilina. Estava descoberta a primeira estatina da história. Anos depois viriam outras, uma delas obtida de outro fungo, e a classe começaria a ganhar o mundo.

03 Como a estatina age

O mecanismo é elegante. A estatina bloqueia a HMG-CoA redutase, a enzima-chave que o fígado usa para fabricar colesterol. Com a produção interna reduzida, o fígado passa a retirar mais LDL do sangue, e o LDL circulante cai. Foi essa engrenagem, descoberta a partir de um fungo, que explicaria o efeito do remédio.

04 Da bancada para a vida real

1976Endo isola a compactina do Penicillium citrinum: a primeira estatina.
Anos 1980Surgem novas estatinas, uma delas obtida de outro fungo, e começam os grandes estudos clínicos.
1994O estudo 4S mostra que a estatina reduz mortes em pacientes que já tinham doença no coração.

A descoberta laboratorial precisava provar valor em desfechos reais, e provou. O 4S foi um marco: pela primeira vez, ficava claro que baixar o colesterol com estatina não era apenas mexer em um número de exame, mas salvar vidas em quem tinha alto risco.

05 O que a história ensina

De um fungo a uma das classes mais estudadas da medicina. Conhecer essa origem e as décadas de evidência que vieram depois é o que permite tratar a estatina como ela realmente é: uma conquista científica, para ser usada com julgamento e no paciente certo. Nem milagre, nem vilão. Foi essa a proposta desta série inteira: olhar cada polêmica com a mesma régua da ciência.

Nem milagre, nem vilão. Estatina é ciência, e ciência se usa com equilíbrio.
Referências
Endo A. A Historical Perspective on the Discovery of Statins. Proceedings of the Japan Academy, Series B. 2010.
Scandinavian Simvastatin Survival Study Group. Randomised trial of cholesterol lowering in 4444 patients with coronary heart disease (4S). The Lancet. 1994.
Cholesterol Treatment Trialists' (CTT) Collaboration. Efficacy and safety of more intensive lowering of LDL cholesterol. The Lancet. 2010.

Material educativo; não substitui consulta nem avaliação individual. O tratamento é individual e definido pelo médico.

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Da ciência à sua consulta

Toda a série teve um só objetivo: informar para decidir melhor. A decisão sobre estatina é individual e depende do seu risco cardiovascular.

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