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Semana da Estatina · Cardiologia

Estatinas evitam infarto e AVC? O benefício e o seu tamanho

A resposta curta é sim, e esse é um dos benefícios mais bem estabelecidos da cardiologia. A parte que quase ninguém explica é que o tamanho desse benefício muda conforme o risco de cada pessoa. Entender isso é o que separa uma decisão bem feita de um "todo mundo tem que tomar".

Dr. Hugo Faria · Cardiologia · Agosto 2026 · Leitura de 5 min

01 A base da evidência

As estatinas estão entre os medicamentos mais estudados da medicina cardiovascular. Décadas de ensaios clínicos randomizados mostram, de forma consistente, que reduzir o LDL diminui infarto e AVC em quem tem risco relevante. Não é opinião nem tendência: é um conjunto de evidências acumulado ao longo de muitos anos e milhares de participantes.

02 O tamanho do efeito

~21%
menos eventos cardiovasculares graves a cada 39 mg/dL de LDL a menos (CTT)

As meta-análises do grupo Cholesterol Treatment Trialists' (CTT), que reuniram mais de 170 mil participantes, estimam cerca de 21% menos eventos cardiovasculares graves a cada 39 mg/dL (1 mmol/L) de LDL a menos, por ano de tratamento. É um efeito proporcional: quanto maior a redução do LDL, maior a queda no risco.

03 Coração e cérebro

O benefício não se limita ao infarto. As estatinas também reduzem o AVC isquêmico, aquele causado pelo entupimento de uma artéria do cérebro. Faz sentido: a doença de fundo é a mesma, a aterosclerose, e reduzir o LDL age sobre a parede da artéria em qualquer território. Proteger a artéria protege os dois órgãos.

04 Por que 20% não é igual para todos

Aqui está o ponto que muda tudo, e que costuma ser ignorado nas manchetes. Uma redução relativa de risco parecida gera um ganho absoluto muito diferente conforme o risco de base.

Risco alto (ex.: pós-infarto)
  • Mesma redução relativa de ~20%
  • Ganho absoluto grande
  • Evita muitos eventos: benefício claro
Risco baixo
  • Mesma redução relativa de ~20%
  • Ganho absoluto pequeno
  • Evita poucos eventos: decisão mais nuançada

Reduzir 20% de um risco alto evita muitos eventos. Reduzir 20% de um risco já baixo evita bem menos. Por isso a mesma porcentagem não significa o mesmo benefício, e olhar só para o número relativo pode enganar nos dois sentidos, superestimando o ganho em quem tem pouco risco e subestimando em quem tem muito.

05 Nem para todos, nem para ninguém

Quem já teve infarto, tem aterosclerose estabelecida ou risco alto é quem mais ganha em números absolutos, e é aí que a estatina previne o maior número de eventos. Isso não significa que todo mundo precise tomar, nem que a estatina "não sirva para nada". A indicação depende do risco cardiovascular global de cada pessoa, avaliado caso a caso.

O benefício é real e comprovado. O seu tamanho depende do seu risco.
Referências
Cholesterol Treatment Trialists' (CTT) Collaboration. Efficacy and safety of more intensive lowering of LDL cholesterol: a meta-analysis of data from 170 000 participants in 26 randomised trials. The Lancet. 2010.
Cholesterol Treatment Trialists' (CTT) Collaboration. The effects of lowering LDL cholesterol with statin therapy in people at low risk of vascular disease. The Lancet. 2012.
Collins R, et al. Interpretation of the evidence for the efficacy and safety of statin therapy. The Lancet. 2016.
Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose. 2025.

Material educativo; não substitui consulta nem avaliação individual e não orienta iniciar, ajustar ou suspender qualquer tratamento. Não inicie nem interrompa a estatina por conta própria; procure avaliação médica.

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Seu risco cardiovascular e a decisão sobre estatina

A indicação considera o risco global, a presença de aterosclerose, o LDL basal e o benefício absoluto esperado, com uma decisão feita para o seu caso.

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