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Semana das Canetas · Episódio 04

Onde tudo começou: diabetes e rim

Antes de emagrecer o mundo, essas canetas tinham outra missão: tratar o diabetes tipo 2. E, desse começo, veio uma surpresa maior, a proteção dos rins.

Dr. Hugo Faria · Cardiologia · Setembro 2026 · Leitura de 5 min · Atualizado em setembro de 2026

01 A missão original: o diabetes

Antes de emagrecer o mundo, essas canetas tinham outra tarefa. Foram desenvolvidas e aprovadas primeiro para o diabetes tipo 2. Nele, estimulam o pâncreas a liberar insulina de forma dependente da glicose, reduzem o glucagon e melhoram o açúcar, sobretudo após as refeições, com baixo risco de hipoglicemia. Esse foi o começo de tudo.

02 Do açúcar ao coração

Ainda no campo do diabetes, estudos como o SUSTAIN-6 já haviam sugerido benefício cardiovascular da semaglutida em pessoas com diabetes e alto risco. A classe começava a mostrar que fazia mais do que controlar a glicemia, uma pista do que o SELECT confirmaria depois na obesidade. Em 2025, o estudo SOUL mostrou o mesmo sinal com a semaglutida em comprimido no diabetes de alto risco: eventos em 12,0% contra 13,8% com placebo.

03 A surpresa maior: os rins

A virada veio com o estudo FLOW, que testou a semaglutida em pessoas com diabetes tipo 2 e doença renal crônica. O benefício foi tão consistente que o estudo foi interrompido antes do previsto por eficácia, uma decisão que só se toma quando os dados já são convincentes.

04 24% menos eventos renais graves

No FLOW, a semaglutida reduziu em cerca de 24% o desfecho combinado de eventos renais graves, que inclui progressão para falência renal, queda importante da função dos rins e morte por causas renais ou cardiovasculares. Houve também redução de eventos cardiovasculares e de mortalidade, reforçando o elo entre rim e coração. Em números, foram 331 primeiros eventos no grupo da semaglutida e 410 no placebo, com cerca de 1.770 pessoas em cada grupo, em mediana de 3,4 anos.

05 Rim e coração adoecem juntos

No diabetes e na obesidade, rim e coração seguem caminhos entrelaçados: quem tem doença renal tem mais risco cardiovascular, e vice-versa. Por isso, um remédio que protege o rim tende a beneficiar também o coração. É o conceito de proteção cardiorrenal, hoje central no cuidado dessas pessoas.

06 Um remédio de várias especialidades

Foi assim que essa classe deixou de ser assunto apenas do endocrinologista. Ela entrou definitivamente no vocabulário do cardiologista e do nefrologista. Uma mesma molécula que conversa com glicose, coração e rim, três frentes que, no mundo real, quase sempre andam juntas.

Atualização · setembro de 2026

Em agosto de 2026, a FDA aprovou a tirzepatida para reduzir eventos cardiovasculares no diabetes tipo 2 de alto risco. No estudo SURPASS-CVOT, com 13.299 pessoas, ela foi comparada à dulaglutida, outra caneta com benefício já demonstrado: eventos em 12,2% contra 13,1%, resultado não inferior, mas sem superioridade.

Não é só açúcar e peso. No diabetes com doença renal, a caneta é proteção de órgão.
Referências
Perkovic V, Tuttle KR, Rossing P, et al. Effects of semaglutide on chronic kidney disease in patients with type 2 diabetes (FLOW). N Engl J Med. 2024;391:109-121. DOI 10.1056/NEJMoa2403347
Marso SP, Bain SC, Consoli A, et al. Semaglutide and cardiovascular outcomes in patients with type 2 diabetes (SUSTAIN-6). N Engl J Med. 2016;375:1834-1844. DOI 10.1056/NEJMoa1607141
McGuire DK, Marx N, Mulvagh SL, et al. Oral semaglutide and cardiovascular outcomes in high-risk type 2 diabetes (SOUL). N Engl J Med. 2025;392:2001-2012. DOI 10.1056/NEJMoa2501006
Nicholls SJ, Pavo I, Bhatt DL, et al. Cardiovascular outcomes with tirzepatide versus dulaglutide in type 2 diabetes (SURPASS-CVOT). N Engl J Med. 2025;393:2409-2420. DOI 10.1056/NEJMoa2505928

Material educativo; não substitui consulta nem avaliação individual. O tratamento é individual e definido pelo médico. Não use medicamentos sem orientação.

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Diabetes, rim e coração, juntos

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